Cosmética Natural, contém químicos?

19 | 03 | 2022
Cosmética Natural, contém químicos?

por Sara Ferreira, Farmacêutica e Naturopata Ayurvédica. Designer de Formulação & Formadora de Cosmética Natural. 

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos o interesse e procura pela cosmética natural aumentou significativamente. Por um lado, os crescentes movimentos «healthy lifestyle», «vegan» e «ecofriendly», por outro lado, o aumento de doenças de pele de carácter atópico, inflamatório, autoimune e cancerígeno, que levaram à procura de cuidados de pele isentos de químicos de síntese, que se têm demonstrado, muitos deles, prejudiciais à saúde.

Estudos com parabenos em animais, químicos de síntese utilizados como conservantes na cosmética convencional há mais de 70 anos, mostraram que estes se podem comportar como substâncias disruptoras do sistema hormonal, embora não verificado nas doses utilizadas na cosmética (até 0,2%). Tal fato associado à verificação científica de que este químico se encontra no tecido mamário com cancro, levou a preocupações relacionadas com o seu consumo, quer na cosmética, quer na alimentação.

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COSMÉTICA NATURAL, o que é?

Não existe uma definição legal de cosmética natural, mas a cosmética natural certificada é obrigada a mencionar a percentagem de ingredientes de origem natural que contém. A Cosmos, entidade que certifica a cosmética natural em Portugal, considera ingredientes de origem natural a água, os minerais, os extratos herbais e os químicos de síntese provenientes de processos sustentáveis ou que geram substâncias biodegradáveis. Não são considerados naturais os ingredientes de origem petroquímica, os conservantes e os agentes desnaturantes.

Por outro lado, de acordo com a norma ISO16128-1, ingredientes cosméticos naturais são ingredientes obtidos a partir de plantas (inclusive macrofungos e algas), animais, minerais (exceto os de origem fóssil, como os petrolatos) ou micro-organismos, inclusive os produtos derivados desses materiais por meio de processos físicos (destilação, decocção, maceração); fermentações que ocorrem na natureza e que resultem em moléculas encontradas na natureza, ou outros processos que não impliquem em modificações químicas intencionais.

Enquanto profissional de saúde me parece que a definição da Organização Internacional da Normalização-ISO descreve o conceito «natural» de forma mais verosímel, o qual defendo e por isso escrevo este artigo em defesa da cosmética sem químicos de síntese, mais fisiológica.

COSMÉTICA ARTESANAL, é natural?

Não, são muitos os químicos de síntese encontrados e muitos deles nem permitidos pela COSMOS, como é o caso do BTMS, ingrediente principal do amaciador sólido, que está muito na moda e é muito fácil de adquirir nas lojas online.

Outros exemplos de químicos de síntese de fácil aquisição online, utilizados pelos produtores, muitas vezes escondidos por nomes comerciais são:

1-Fenoxietanol, ingrediente de misturas conservantes vendidas em lojas online de cosmética artesanal. Apesar de evidência científica de hematoxicidade, este químico pode ser usado na cosmética até 1%. A sua absorção percutânea pode chegar a ser de 78%. Sinais de hematoxicidade foram observados em ratas grávidas após aplicação na pele de 600mg/kg/dia durante 12dias. Mesmo assim, não foram realizados testes semelhantes em humanos. Não é um ingrediente aprovado pela Cosmos. Por alto, podemos calcular que uma mulher grávida com 60kg pode correr riscos de saúde se usar 36mg/dia de um creme com 1% deste ingrediente.

2-Polietilenoglicol (PEG), solvente com origem no petróleo, logo não permitido pela Cosmos. Os seus derivados são usados como surfactantes, emulsionantes e humectantes;

3-Propilenoglicol (PPG) ingredientes de extratos de plantas vendidas em lojas online de cosmética online. Pode ser produzido com origem no petróleo ou a partir da glicerina. Adquirir um extrato glicólico com certificado orgânico garante ser de origem vegetal;

4-Stearamidopropyl dimethylamine, ingrediente dos amaciadores, não aprovado pela Cosmos, por a sua síntese química não ser ecológica;

5-Álcool benzílico, largamente usado na cosmética como conservante e nos perfumes e tintas para o cabelo como solvente. Apesar de evidência científica da sua neurotoxicidade, sendo que a DDM é de 0,03mg/Kg/dia, este químico continua a ser usado na cosmética até 5%, com exceção nas tintas para o cabelo, onde pode chegar aos 10%. É aprovado pela Cosmos. Não existe um único teste de toxicidade por via dérmica e, sendo que é também um aditivo alimentar e farmacêutico, é difícil prever a sua toxicidade crónica com exatidão. Mas por alto, podemos calcular que uma pessoa com 60kg não pode usar mais de 36mg/dia de um creme com 5% deste ingrediente.

6-Corantes no sabão artesanal que, mesmo quando permitidos pela COSMOS, não são dermatológicos.

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COSMÉTICA NATURAL CERTIFICADA, o que é?

A Cosmética Natural certificada assegura a ausência na sua composição de parabenos, ingredientes OGM, nanomateriais e substâncias consideradas mutagénicas e/ou que causam alterações no aparelho reprodutor. Proibe, regra geral, o uso de substâncias de origem petroquímica, exceto quando não existe alternativa. Não proíbe o uso de químicos de síntese, apenas restringe o processamento de modo a não produzir desperdício e ser biodegradável.

COSMÉTICA NATURAL BIOLÓGICA, o que é?

Não existe uma definição legal de cosmética natural biológica, mas a cosmética natural biológica certificada é obrigada a mencionar a percentagem de ingredientes de origem biológica que contém. A Cosmos, entidade que certifica a cosmética natural biológica em Portugal, define critérios de formulação, sendo que apenas formulações contendo mais de 20% de ingredientes de origem orgânica, podem ser certificados. Não são considerados orgânicos a água e os minerais, por isso formulações aquosas e minerais podem obter certificação com um mínimo de 10% de conteúdo orgânico.

COSMÉTICA NATURAL CERTIFICADA, porque contém tantos químicos?

1-Por questões de produtividade. É mais rápido produzir sabão com cocoamidopropilbetaína, tensioativo de síntese química aprovado pela COSMOS, do que utilizando a técnica de saponificação tradicional;

2-Por questões económicas. Os químicos de sínteses são, regra geral, menos onerosos. Por exemplo, atualmente a Cosmos aprova o uso do ácido sórbico e do ácido benzoico como conservantes, bem como dos seus derivados, obtidos por síntese química, com um custo associado inferior comparativamente aos óleos essenciais, tradicionalmente usados como conservantes;

3-Por questões de industrialização. Sendo que a cosmética é produzida à escala industrial e é formulada de modo a ter um período de validade superior a 30 meses, requer maior uso de conservante e estabilizante na formulação;

4-Por questões de formulação. Sendo que as formulações preferidas pelo consumidor são as emulsões, estas requerem o uso de emulsionantes e estabilizantes, sendo mais eficazes os de síntese química;

5-Por questões de fiabilidade do consumidor. As emulsões são formulações com duas fases, ou seja, uma fase aquosa e uma fase oleosa, portanto imiscíveis, à semelhança da água com o azeite. A adição de emulsionantes e estabilizantes (aditivos) torna as duas fases miscíveis adquirindo um aspeto homogéneo muito apreciado pelo consumidor.

COSMÉTICA NATURAL, é possível sem químicos de síntese?

Sim, usando métodos tradicionais de produção. O futuro da cosmética natural é a cosmética fresca, ou seja, produzida pelo consumidor com ingredientes frescos de fácil aquisição, de forma fácil e eficaz, usando técnicas muito semelhantes às da culinária. O ser humano será mais autoconsciente e dominará todos os saberes do seu bem-estar. Será um ser humano mais vital e saudável, em harmonia com o meio ambiente. A Tecnologia Homemade dará provas da sua eficácia, nunca inferior à das tecnologias patenteadas, apenas menos lucrativa.



COSMÉTICA NATURAL, sem químicos de síntese é eficaz?

Sim, claro. A pele é um órgão que necessita de água, aminoácidos, ácidos gordos, açúcares, minerais e fitoativos facilmente encontrados na Natureza. Os ingredientes de origem natural são mais facilmente assimilados pela pele no seu metabolismo de síntese de proteínas, lípidos, ceramidas e glucoaminoglicanos. 



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COSMÉTICA NATURAL, sem químicos de síntese é estável?

Sim, é possível obter formulações com uma estabilidade até 2anos, sem conservantes, emulsionantes e estabilizantes de síntese química.

COSMÉTICA NATURAL sem químicos de síntese, posso aprender a fazer?

Sim, no Curso de Cosmética Natural. Poderá preparar os seus cosméticos em sua casa, de forma fácil, eficaz e económica, beneficiando dos efeitos de uma cosmética mais fresca, nutricionalmentes mais ativa e verdadeiramente isenta de químicos de síntese. Vai utilizar apenas ingredientes naturais e biológicos e aprender técnicas cosmecêuticas que não emitem poluentes ou desperdícios para o meio ambiente, portanto uma cosmética mais sustentável e zero waste.

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CONCLUSÃO

A Cosmética Natural remonta de há 5000anos atrás onde eram usados a gordura animal e os óleos vegetais nos cuidados da pele. A limpeza da pele era feita com a farinha dos cereias adicionada de leite. O sabão era encontrado na Natureza aquando do sacrifício dos animais em altar de madeira, por ação das cinzas da madeira com a gordura do animal. Este sabão era utilizado pelas mulheres para lavar a roupa e a loiça.



O conceito de higiene e beleza foi implementado pelos Egypcios e Romanos, sendo que foram os Romanos o primeiro povo a produzir sabão e o primeiro creme à base de azeite e cera de abelhas. No final do séc XIX surgiu a síntese química de hidróxido de sódio e o uso de sabão tornou-se acessível a todos e uma prática médica para controlar as pestes.

Já no séc XX o culto da beleza intensificou-se com a Indústria Cinematográfica e a Emancipação da Mulher. Surgiu a maquilhagem e o protetor solar. Durante a revolução industrial a técnica de fazer sabão com hidróxido de sódio e gordura vegetal foi substituído pelo uso de tensioativos como o lauril sulfato de sódio, tendo surgido assim o gel de banho.

A Cosmética Industrial, natural ou convencional, certificada biológica ou não, é formulada de modo a garantir um tempo de prateleira superior a 30 meses, logo se pretende usufruir dos benefícios de uma cosmética fresca, mais rica nutricionalmente, 0%químicos de síntese, a alternativa mais económica será preparar os seus próprios cosméticos. Alternativamente pode fazer a Consulta de BioCosmética Personalizada, para lhe prepararmos um cosmético fresco, nutricionalmente adaptado às necessidades da sua pele.

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Por outro lado, se apenas é uma Ambientalista, pode contar com a cosmética certificada biológica para diminuir o impacto ambiental da cosmética. No entanto, esse impacto pode ser zero se produzir em casa, de forma fácil, eficaz e económica, com a garantia 0%emissão de poluentes e desperdício, com a tecnologia Sara Ciência&Tradição.